Cemitério Santa Tereza – Segunda, 01:14- Amélie, você não acredita? – Hidan falou, caminhando ao lado da sua namorada. Ambos estavam em uma parte mais isolada do cemitério, onde havia algumas árvores e poucos túmulos. Um olhar de reprovação foi a única resposta que o rapaz recebeu. – Porr* Amélie, não estou falando de religião!- Então é sobre o que? A vinda do papa de chifres ao mundo?- O chamado. Você pareceu nem se preocupar com isso.- Você sabe que eu vou, mas não será preciso nós ficarmos seguindo um bando de idiotas por todo canto. Na hora nós estaremos presentes, não se preocupe. – A vampira respondeu, ambos ainda andando.- Para quem não acredita você parece bastante interessada nisso. – Ela parou repentinamente, colocando a mão na frente do namorado para que ele fizesse o mesmo. Os dois ficaram calados durante um tempo e só então Hidan percebeu o que ocorrera, farejando o cheiro com o nariz. – Cheiro de sangue.- E parece vim daqui perto. – A mulher começou a virar o rosto de um lado ao outro, a procura de algo. Os seus cabelos negros e lisos balançavam em perfeita harmonia com o vento.- Vampiro? – Hidan indagou, varrendo o cemitério com os olhos.- Não, um vampiro não desperdiçaria tanto sangue. Deve ser outra coisa.- Hoje não é noite de lua cheia... – Hidan olhou para o céu para comprovar se estava certo e então sentiu a sua namorada puxando o seu braço.- Vamos! – Ela disse, ambos começando a correr pelo cemitério em direção ao sangue. Alguns minutos depois, eles chegaram ao local onde o ritual aconteceu. Havia apenas uma mancha de sangue no chão, sendo que se arrastava até uma árvore perto dali. A estrela no gramado estava quase se apagando, mas eles ainda conseguiam vê-la.- Parece que tentaram invocar algum ser poderoso aqui. – Hidan comentou, se agachando e pegando um pouco do sangue que estava no chão. Ele cheirou o líquido vermelho e fitou a namorada. – Tem cheiro diferente.- Não importa, deve haver algum humano aqui e eu estou com fome. – Amélie comentou. Ela estava usando uma camisa preta com um decote em “V”, uma saia da mesma cor e um par de botar marrom escuro.- Sabe, isso parece ter sido um ritual religioso. Não tem medo que o sangue dele te converta? – Hidan provocou, observando o olhar fuzilante da amada.- Muito engraçado. Agora, silêncio. – Ela falou séria, escutando um barulho vindo de uma árvore dali de perto.
Amélie sorriu para Hidan e ele retribuiu. A caça iria começar. A moça apoio o pé direito no chão e com um único impulso voou na direção da árvore na qual a mancha de sangue se dirigia. O seu namorado fez o mesmo, só que indo na direção esquerda, enquanto ela seguiu pela direita. Ambos chegaram na árvore no mesmo instante, sendo que não havia mais nada ali, a não ser uma mancha de sangue.
- Merda! – Hidan xingou, olhando para a sua amada. Ela então apontou com os olhos para o alvo. Uma pessoa corria na frente deles, ela saltava de árvore em árvore, carregando um garoto no colo.
- Vai ficar tudo bem. – Alexya dizia para o Sasuke, que se encontrava desacordado nos seus braços. Ela pulava desesperada, sabia que aquele casal de vampiros que estava a seguindo não tinha boas intenções. O seu principal objetivo era tirar o garoto de lá e mantê-lo a salvo.
A vampira que carregava o garoto levou um susto quando viu algo passando na sua frente. Só poderia ter sido um deles, entretanto não teve tempo dela pensar. Alexya só foi capaz de ver uma perna estendida na sua frente. Um homem, Hidan, chutou o seu rosto com força, fazendo com que o corpo da jovem vampira fosse jogado para trás. Antes que ela batesse em uma árvore, entretanto, Amélie apareceu ao seu lado e puxou Sasuke de seus braços, deixando a protetora de humanos bater em uma árvore.
- Que espécie de vampira é você? – O vampiro perguntou incrédulo. Ele e a sua namorada estavam no chão, próximos a caída. Ele olhou para Amélie que sorriu, satisfeita por está com o rapaz quase-morto em seus braços.
- O que vocês querem? – Alexya indagou, se levantando do chão e ficando atento a cada movimento do casal.
- Não queremos nada contigo, apenas com esse rapaz aqui ao meu lado. – Amélie disse, apontando para Sasuke, e então continuou. – Hidan, querido, eu acho que sei o que ela é.
- Sabe? – Ele parecia desconfiado.
- Uma vampira que não ataca humanos. Eu já ouvi falar nessa espécie de vampiros, há muito poucos por aqui, em Sunnydale, e é a primeira vez que eu vejo uma pessoalmente. – Alexya mostrou as suas presas para a vampira falante, mas Amélie não pareceu se intimidar. – Eles sobrevivem de doação de sangue e quando não é o suficiente atacam ratos e outros roedores.
- Olha, amor, acho que ela vai ser melhor do que o nosso gato! Sabe, ele parece não dar conta dos ratos que andam por nossa casa. Você pode ajudá-lo nesse trabalho. – Hidan sugeriu, sorrindo cinicamente para a vampira rival.
- Calem-se! O que vocês querem? Um lanchinho da madrugada? Há várias pessoas no Bronze a essa hora, por que vocês não vão lá? – Alexya berrou para os dois que continuavam olhando para ela pacientemente.
- Se você quer tanto salvar esse garoto, por que não vem pegar? – A outra vampira desafiou, puxando a cabeça de Sasuke com ignorância. – Ah, me esqueci, você só toma sangue em saquinho! Bebe quanto? 2 litros por semana?
- Na verdade são 3 litros! – Alexya disse, pulando em direção da inimiga e tentando socá-la, mas Amélie foi mais rápida. Ela jogou Sasuke para o namorado que agarrou o garoto como se ele fosse uma bola de futebol e então a garota se defendeu do golpe, segurando a mão de Alexya e a arremessando para o lado oposto. Antes que a vampira de olhos roxos pudesse bater na árvore, Amélie correu para trás dela e a pegou no ar, apertando com força o seu pescoço.
- Querida, você tem que entender que não conseguirá viver muito tempo assim. Nós, vampiros, temos que tomar pelo menos 1 litro de sangue por dia e olha para você! Não pense que poderá lutar contra os seus institos, garota, você ficará fraca e não será capaz de se defender. Aprenda a ser uma vampira de verdade ou morrerá.
Depois de dizer isso, Amélie jogou a sua rival no chão e ficou fitando os seus olhos piedosos.
- Sabe, eu não estou falando que você deverá ficar mais forte para se defender de vampiros como nós, já que não atacamos nossa própria espécie. Estou falando dela, a escolhida! É, estão dizendo que ela voltou e nós já estamos nos unindo para matá-la antes que ela mate mais de nós. E quando ela te ver, acha que irá que saber se você toma sangue de saquinho ou se mata pessoas antes de te matar? Não, você morrerá! Então, acho melhor você decidir de que lado para que não seja tarde demais.
Hidan viu o sinal da sua amada com os olhos e voou em sua direção, entregando Sasuke nos seus braços.
- Agora podemos ir. – Amélie falou, virando-se e caminhando para fora do cemitério, seguido do seu amado. Em poucos minutos os dois já tinham desaparecidos na escuridão e só restou Alexya lá. Ela olhou para o redor e viu que estava sozinha novamente.
- E-Eu... – Ela falou para si mesmo, engatinhando até uma árvore próxima dela e se encostando na mesma. Em seguida, a garota puxou as suas duas pernas e as abraçou, derramando algumas lágrimas. Tudo o que a outra vampira falara fazia sentido, ela não poderá continuar assim, mas o que ela fará? A única coisa que conseguiu pensar foi em chorar.
Hidan e Amélie pareciam satisfeitos com a vitória. A mulher carregava o garoto desacordado sobre os ombros enquanto conversava com o amante.
- Eu chego a ter pena de vampiros assim. – A mulher falou, carregando Sasuke sobre os ombros.
- Não sei o que passa na cabeça de pessoas assim. Então, quando vamos devorá-lo?
- Ah, você se refere a este garoto? Nunca.
- Como assim?
- Ainda não percebeu? Mesmo depois de ter perdido tanto sangue esse menino continua vivo e ainda por cima o sangue dele tem um cheiro diferente. Não deve ser muito gostoso.
- Tá, então vamos deixá-lo para aí e esperar que os urubus o coma.
- Não. Você parece que não prestou atenção. Nós não vamos comê-lo, mas sim transformá-lo em um de nós.
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