Apartamento de Kiro – Segunda,00:05
- Ah, qual é? Vamos... Vem cá, gatinha... – Um rapaz falava enquanto dormia, se mexendo de um lado para o outro agoniadamente. Ele tinha cabelos castanhos escuros rastafári, com uma pele morena e músculos por todo o corpo. O jovem ficou alguns minutos girando no meio da cama de um lado ao outro e arranhando o colchão com as mãos, quando finalmente caiu.
- Mas que merda foi essa? – Kiro perguntou para si mesmo, após se levantar do pequeno tombo. Ele estava em um quarto que havia duas camas, uma ao lado da outra, e no chão algumas embalagens de salgadinhos e biscoitos. O adolescente olhou para os lados e percebeu que estava sozinho e foi nessa hora que ele se deparou com a sua cama. – Como...
Kiro olhou para as próprias mãos e viu que elas estavam maiores e peludas, assim como o seu braço e o seu peito. O colchão da cama estava totalmente rasgado, com pedaços de espuma saindo de seus rasgões.
- Por que isso aconteceria logo agora? Droga! – Ele resmungou, indo até o espelho do seu quarto e vendo que a transformação já tinha começado. Os seus olhos estavam ficando maiores e em uma coloração mais escura, os seus pés estavam crescendo a cada segundo, as unhas se modificando para garras. O rapaz correu até o banheiro e começou a esfregar os seus próprios braços com sabonete, na esperança de frear a sua transformação. – Só me faltava essa! Sai, sai, sai!
Aos poucos o seu braço começou a voltar ao normal assim como o restante de todo o seu corpo. O rapaz suspirou aliviado e andou até o quarto novamente. Olhou para o seu colchão todo retalhado e para a cama do seu irmão, novinha e intacta.
- Eu até perdi o sono depois dessa. – Ele se sentou na cama do irmão e ficou analisando o estado da sua cama. – Cadê o Kiba? Ah, ele sabe se virar sozinho. – Comentou para si mesmo, se deitando na cama do irmão e fechando os olhos.
Bronze – Segunda, 00:12
Bronze é uma das casas noturnas mais conhecida de Sunnydale. É lá que a maioria dos alunos do ensino médio vão nos fins de semana para se divertir com os amigos ou para dar uma paquerada. Possui um palco central onde algumas bandas se apresentam e várias mesas com cadeiras, algumas mesas de sinuca e um primeiro andar. No térreo havia alguns garotos conversando, rindo e se divertindo.
- Cara, olha só aquela gatinha! – Um deles comentou, apontando para uma garota de salto alto, uma calça preta colada no seu corpo e agachando-se para jogar sinuca.
- Aonde, aonde? – O outro perguntou, os seus olhos azuis estavam varrendo o lugar para encontrá-la.
- Ali, Hikuro! Você é cego? – Kiba, o garoto que comentara, apontou para a jovem que de que tanta falava.
- Agora sim eu estou vendo! Não é que ela é mesmo uma gatinha!? Se eu não tive amarrado eu pegava! – Hikuro respondeu, vendo os risos abafados dos seus outros amigos. – O que foi, pessoal?
- O-Olha pra trás! – Kiba respondeu entre risos, tampando os ouvidos.
- HIKURO JUNIOR! Como é que é a história? – Quando o garoto virou-se só sentiu uma tapa atingindo o seu rosto.
- Desculpa, Ino! Você sabe que eu só tenho olhos para você. Não foi nada disso que ta pensando. – Ele tentou se desculpar, levantando-se e escutando os desaforos da namorada. Enquanto isso, a garota que eles comentavam tinha acabado de fazer uma tacada, acertando a bola azul num buraco.
- Kini, parece que aqueles meninos estavam te tarando. – Uma adolescente falou, acompanhando com os olhos o movimento da sua amiga.
- Você sabe que eu não gosto de conversar enquanto eu estou jogando, Vic. – A moça respondeu com seriedade, mexendo o seu corpo para ficar na melhor posição de fazer a próxima tacada.
- Está bem, amiga. Não está mais aqui quem falou. – A garota respondeu. Ela tinha os cabelos loiros e uma pulseira onde tinha um pingente de lua crescente.
- Bom, acho que vou acertar aquela bola vermelha agora.
- Dúvido! – A loira comentou, percebendo o olhar de desafio de Kini.
- Você dúvida? – A loira balançou positivamente e viu a amiga posicionando o taco na bola branca, quando repentinamente ela quebrou a madeira do taco. – Ai, ai, ai, ai! – Kini gritava, colocando as mãos sobre os ouvidos e pressionando os olhos com força.
- Amiga, você está bem? – Victoria perguntou, se aproximando da colega de cabelos negros e lisos. Kini olhou para ela como quem perguntava se parecia estar bem, em seguida a moça respirou fundo e se afastou da mesa.
- Eu... Vou ficar bem. Só preciso de um pouco de ar. – Ela respondeu, saindo do Bronze quase que correndo.
- Ok... – Foi a única coisa que deu tempo de Victoria responder, antes de ver a amiga sair do local. A loira ficou algum tempo atordoado com a mudança de humor da amiga e então voltou a jogar sinuca. Ela não ia perder a noite por causa disso, certo?
Do lado de fora, Kini ainda pressionava as mãos contra o ouvido, torcendo para que eles não fossem estourados. Um grande ruído tinha dominado a cabeça da jovem, que tentava respirar com mais normalidade. Ela se encostou na parede e olhou para cima. Os seus olhos castanhos claros estavam embaçados por causa de algumas lágrimas que saiam.
[i]- Venha![/i] – A morena identificou aquela palavra diante do ruído ensurdecedor. [i]- Venha! Venham todos vocês![/i] – As palavras continuavam, agora com o ruído ficando mais baixo a cada instante. Kini olhou para os lados afim de ver se tinha mais alguém ali fora, quando entendeu que estava sozinha na frente do Bronze.
- Será que eu devo ir? – A garota se perguntou, não pensando duas vezes. Correu até o fim daquela rua e dobrou a esquina, seguindo os chamados que ficavam cada vez mais próximos. Ela correu até uma rua estreita, um tanto próxima do cemitério, e adentrou na mesma, chegando até outra rua. Quando a dobrou, entretanto, avistou quatros homens ajoelhados enquanto um quinto parecia gritar. Era dele que ela estava escutando o chamamento.
- Eu não iria aí se fosse você. – Um rapaz falou para a curiosa, que voltou até a esquina e ficou observando os desconhecidos de longe. – Eles são perigosos.
- E quem é você para me dizer o que fazer ou não? – Kini respondeu, fitando o rapaz branco com os olhos.
- Eu sei quem eles são, você não.
- Ah, é? E o que eles são então?
- Vampiros, agora saia daqui antes que ele nos veja.
- Eles são... – A jovem não acreditou. Ficou martelando aquela palavra na sua cabeça durante um tempo e novamente olhou para eles. Aqueles homens tinham uma pele excessivamente pálida e pareciam estar esperando por mais alguém.
- Vampiros! Eu já disse, e parecem que estão se reunindo! Pelo visto aquele ali em pé está chamando os outros vampiros, mas em um som tão alto que é impossível um de nós escutarmos, como você deve ter notado.
- Pera aí... Eu consigo escutá-lo! – Ela falou incrédula. Aquele garoto só podia estar de brincadeira com ela.
- Você não po... – O rapaz foi atrapalhado pela sua irmã, que vinha por aquela rua com um skate nos pés.
- Aew, mano! Achou alguma coisa? – Rebecca, a sua irmã, gritou para ele, após passar pelos dois e ver os vampiros reunidos. – E quem é a mina, aí?
- Becky, dá para falar mais baixo! Eles podem nos...
- Ouvir? – Um vampiro falou no seu ouvido, já atrás dele e prestes a mordê-lo. Kini olhou assustada para os dentes da criatura e percebeu que ele parecia estar falando a verdade. Ao virar-se para ver os outros vampiros, percebeu que não havia mais nenhum ali. Eles tinha ouvido Becky e já estavam longe, deixando apenas dois deles para acabar com os intrusos.
- É, maninha... Eles podem nos OUVIR! – Depois de gritar isso, uma bola azul se forma ao redor do garoto jogando o vampiro para longe e fazendo-o bater contra a parede. Kini se assustou mais permaneceu calada, apenas observando.
- Poxa, Drake, não precisava ser tão grosso assim. – A sua irmã alertou, se aproximando dele e ficando ao seu lado. – E você? Quem é?
- Eu sou Kini. – A morena respondeu ainda incrédula. – E vocês? São o que?
- Pelo visto essa aí nunca viu um bruxo antes. – Becky respondeu, vendo o outro vampiro correndo em sua direção. Ela pisou no skate que voou para a sua mão e o transformou em um skate de gelo, assim como o seu braço direito que o segurava, batendo com força na cabeça da criatura. – Esses são mais fracos do que a gente, mano.
- Acho que eles deixaram os mais fracos para trás. – Drake falou, fitando o vampiro que tentara o pegar pelas costas. – Isso é um adeus. – Após falar essas palavras ele levantou o seu braço esquerdo e fez uma grande lâmina se formar em baixo dele, do comprimento do seu membro. Em seguida, a lançou contra o vampiro, que perdeu a cabeça no mesmo instante. O seu corpo virou pós assim como a sua cabeça.
- Dalê o mestre do gelo! – Becky gritou eufórica, balançando os braços. – Agora deixa que eu cuido... Ué, cadê ele? – Ela soltou a pergunta, vendo que não havia mais nenhum vampiro do seu lado.
Kini estava observando tudo calada e pasma, sem saber se estava sonhando ou se deveria acreditar em tudo isso, quando sentiu uma mão gelada encostar o seu pescoço e puxar o seu corpo. Ela tombou para trás e percebeu que estava totalmente presa pelo segundo vampiro.
- Você parece deliciosa. – A criatura sussurrou no seu ouvido, lambendo o pescoço da garota. Quatro presas enormes apareceram em sua boca e começaram a se aproximar da pele dela. Sem pensar duas vezes Kini segurou o braço do vampiro e o jogou para frente , fazendo a criatura voar sobre ela e cair no chão.
- Como você fez isso? – Drake perguntou, vendo a sua irmã pular sobre o vampiro e cortar a sua cabeça com uma espada de gelo que criara com o seu próprio braço.
- Eu não sei. – Kini falou com sinceridade, ainda sem entender tudo que acontecia a sua volta.
- Mano, saca só a cicatriz no pescoço dela! – Becky exclamou, apontando para o pescoço da garota.
- Não pode ser... – Drake se aproximou da morena e analisou a cicatriz. – Quando você fez isso?
- Eu tenho isso desde que eu nasci.
- Você acha que... – O garoto perguntou para a irmã, que parecia empolgada com a idéia.
- SIM! Que ela é a escolhida!
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