Cemitério Santa Tereza – Domingo, 23:50
- Tem certeza que isso vai dar certo? – Uma garota loira perguntou, virando-se para as duas outras pessoas que estava ao seu lado. A jovem se sentara em uma das pontas da estrela que os três haviam feito, com tinta preta, na grama do cemitério.
- Você não pode desistir agora, querida! – A mais velha do grupo respondeu, fitando a medrosa. – Vamos, não temos muito tempo para perder. Daqui a pouco dará meia-noite e o ritual começará.
- M-mas... Por que te que ser de meia-noite mesmo? – A loira insistiu, percebendo o olhar de reprovação da mulher de cabelos negros e perfeitamente lisos. As duas tinha como companhia um rapaz, que apenas observava tudo calado.
- Os sinos, Susan, é por causa do barulho do sinos. Nos vamos invocar o grande salvador, a criatura mais poderosa e leal que há. Ele tem que nos ouvir com clareza e o barulho dos sinos irá levar as minhas palavras até ele. – A morena deu uma pausa e então continuou. – Tudo pronto, Susan?
- Sim, Marian! Acho que podemos começar.
- E você, Sasuke? Está preparado? – A mais velha perguntou para o terceiro integrante do trio, que acenou com a cabeça friamente. Ela então estendeu as mãos para os seus companheiros e esperou que eles as segurassem.
- Depois disso nós ficaremos mais fortes. – O garoto comentou, apertando com força a mão da morena, que sorriu com satisfação. Em seguida, Susan fez o mesmo. Agora eles estavam prontos.
- Sim, Sasuke! Ficaremos mais fortes!
Após Marian falar essas palavras, a primeira badalada do sino soou. Imediatamente as sete velas que estavam ao redor do trio acenderam, mostrando as faces já modificada dos três. A mais velha possui os olhos totalmente negros, tão intensos quanto a noite que ali reinava. Sasuke tinha os olhos vermelhos enquanto Susan estava ficando com um tom alaranjado nos olhos. O cemitério ficou em silêncio durante o intervalo da primeira e a segunda badalada do sino, e então ritual começou.
- Grande Demestor, entrego a ti a minha confiança, meu corpo te pertence e nada poderá te impedir. Venha perante a terra mostrar a sua justiça, faça dos fracos aqui presentes os seus servos e dos poderosos o teu escravo. Peço que...
Enquanto Maria citava essas palavras, a estrela embaixo dele se acendeu, ficando com um brilho amarelo que logo se transformava em vermelho. O peito de Sasuke esta sendo cortado por uma espécie de faca invisível, deixando o seu sangue escorrer para as linhas no chão, as deixando dessa cor. Aos poucos, mas cortes poderiam ser vistos no corpo do garoto, que não expressava nenhuma dor ou sinal de arrependimento.
- Marian, temos que parar! – A loira gritou, sem conseguir largar a mão da sua colega e de Sasuke. Susan tentava lutar contra o ritual, mas era inútil. Uma vez começado irá até o fim. O sino continuava a balançar, nesse momento chegando a sua 8ª badalada. – Sasuke está morrendo! MARIAN, PARE!
- Marian? – A morena perguntou, mostrando os seus olhos totalmente negros. – Ela não está mais aqui!
Depois de falar essas palavras, a mulher continuou a citar as palavras do ritual. Com o tempo, Susan ficava ainda mais branca, como se a sua vida estivesse sendo sugada por uma força que surgia no centro da estrala, e quando o sino soou pela 11º vez, um grande portal se formou.
- DEMESTOR, ACORDE! – Assim que a mais velha gritou essas palavras, um par de mãos enormes saiu do portal, se apoiando no chão e finalmente trazendo o seu corpo à tona. A cabeça era achatada, com dois olhos que mais pareciam bolas de fogo. O seu corpo era musculoso, amarelo como a areia e com algumas linhas vermelhas, que tinha a mesma tonalidade dos seus olhos. – Seja bem vindo! – A criatura se ergueu sobre a estrela de 7 pontas, agora sem mais nenhum portal. O sino já parara de soar e ao lado do monstro havia um garoto desmaiado no chão, cujo peito e braço estava coberto de sangue. Do outro lado, apenas uma garota pálida e loira caída.
- É ela a escolhida?
- Não, Demestor! Em breve eu lhe mostrarei a pessoa que você tanto quer conhecer. – A morena respondeu, levantando-se com graciosidade.
- Então o que devo fazer com eles? – O monstro indagou. A sua voz era grossa, mas com um tom de curiosidade.
- Leve a loira. Ela nos será útil! Quanto ao garoto, deixe-o aí... Há vários seres famintos querendo devorá-lo. Agora vamos! – A mulher respondeu, virando-se para a saída do cemitério e caminhando até lá. Demestor a seguiu, após pegar a loira que se encontrava no chão.
- Estou indo, Hanna!
Os dois saíram do cemitério em poucos minutos, deixando apenas Sasuke jogado no chão com uma mancha de sangue ao seu redor. O cemitério ficou em silêncio durante longos minutos, até um par de botas aparecer perto do garoto. Eles ficaram parados durante um tempo quando finalmente começarem a se mexer, indo em direção ao jovem desmaiado. Um livro de desenhos caiu no chão, mostrando uma folha com metade de um anjo desenhado a lápis. O par de botas pretas parou diante do garoto e duas mãos brancas e delicadas tocaram a face de Sasuke. O desconhecido usava uma saia negra, que deixava a mostra duas coxas grossas, e um casaco cinza, escondendo os seios fartos da vampira que se aproximara. Entretanto, o que mais chamava a atenção era a munhequeira negra da jovem, com o nome “HELL” no centro dela.
Casa de Allice – Segunda, 23:57
Uma mulher alta e branca estava ajoelhada perto da janela do seu quarto, segurando um terço enquanto orava, quando escutou três batidas vindas da porta.
- Mana, posso entrar? – Era Allice, que abriu a porta com vagarosidade e sorriu para a irmã mais velha. A adolescente usava um pijama branco, com algumas borboletas negras nele. Os seus pés estavam descalços enquanto os seus olhos pequeninos e azuis pareciam assustados.
- Lógico. Mas por que você não está na cama?
- É que eu não estou conseguindo dormir... – A jovem respondeu, correndo para abraçar a irmã mais velha. July logo entendeu o que estava acontecendo e segurou com delicadeza o rosto da menina pálido da menina, que se esforçava para não deixar algumas lágrimas saírem.
- Lline, você tem que entender que nós temos que continuar as nossas vidas. Olha, senta aqui. – A mulher falou, apontando para a cama dela e observando a irmã fazendo o que ela pedira. – A nossa prima saiu de casa já faz mais de uma semana e nós já fizemos tudo o que foi preciso para tentar encontrá-la. Por favor, você tem que dormir!
- Mas eu não vou conseguir descansar enquanto não ver a nossa prima aqui do nosso lado! Você sabe, desde que o papai e a mamãe se foram eu só tenho vocês duas... Eu não posso viver sem a Marian.
- Lline, eu vou te dizer uma coisa e quero que você preste bastante atenção. Nós, bruxas, todas temos uma predestinação para algum ramo da magia. Você, minha linda, é o ar. Pode controlar o vento que passa pelo nosso corpo e criá-lo sem dificuldades. Eu sou capaz de ver o interior da pessoa e conto com a fé para me auxiliar. A Marian, infelizmente nasceu com um dom horrível, o pior que poderia existir!
- As trevas... – Allice falou, com uma voz quase falha. E então virou-se para a irmã, com um olhar furioso. – Então é assim? Você quer me dizer que toda a nossa vida está decidida desde o dia em que nascemos? Que só porque ela tem esse poder não pode ser diferente? Então vamos abandoná-la? É ASSIM?
- Calma, Lline! Veja você... O seu dom, o Ar, com ele você poderia sair roubando qualquer banco que quisesse, apenas abrindo a porta e fechaduras com a sua magia. Entretanto, você não faz isso! Você pôde escolher e decidiu seguir um bom rumo, o do amor. Mas a nossa prima, ela não quis continuar conosco. Preferou desistir e ceder aos instintos! Nós não podemos fazer nada quanto a isso! Se ela quis assim, assim será!
- Mas...
- Psiu... Agora vamos descansar. Tome! – July entregou a sua irmã um dos terços que ela possuía e aguardou que a garota começasse a orar. – A única coisa que podemos fazer agora é orar para que tudo der certo com ela.
- Certo, mana. Por favor, Meu Pai, eu só quero que o Senhor ajude a nossa...
Casa de Catherine – Segunda, 00:03
Em um quarto humilde, uma senhora já de idade avançada estava deita em uma cama branca. Uma garota que aparentava ter 19 anos apreciava a sua avó descansando, imaginando o quanto era bom poder cuidar daquela senhora que tanto a ajudara nos momentos difíceis. A moça usava um rabo de cavalo e uma franja de lado, com uma camisa preta e uma calça jeans simples.
- Durma com os anjos, vovó. – Ela desejou, dando meia volta do lugar onde estava e saindo do quarto. A moça caminhou até a cozinha e ligou a torneira, onde iria lavar as suas mãos para então limpar o seu rosto. Entretanto, as suas mãos estavam diferentes. Mais largas e maiores, do corpo de Catherine pêlos começavam a ser formar, crescendo com certa rapidez. A moça correu para o banheiro e olhou-se no espelho. O seu rosto estava se desconfigurando, formando dentes caninos e um fucinho saliente. – Não, agora não! Por favor, agora não, agora não, agora não...
Ela falava essas palavras para si mesma, observando que a transformação desacelerava e ficando mais tranqüila. Ela virou-se para respirar um pouco mais aliviada e levou um susto.
- Bu! – Minato sussurrou, para não acabar acordando a avó da mulher.
- Oh, chamem a ambulância! Eu estou morrendo de susto! – Catherine falou secamente, andando para fora do cômodo.
- O que foi, Kathe? Não consegue dormir?
- Não é isso... É que você fica aparecendo assim de repente, fica chato, poxa! Imagina se a minha avó te pega qualquer dia desses.
- Aí a gente se sentaria e tomaríamos café juntos.
- AHAH! Só porque você é um vampiro não significa que possa ficar indo e vindo aqui nesse horário.
- Mas eu só dei uma passadinha para ver como você estava e... – Antes que ele terminasse de falar essas palavras, o loiro percebeu os braços peludos da amada. – Por que você não me disse antes? Isso pode ser sério, não é comum você virar um lobsomen sem ser noite de lua cheia!
- Isso, grite para acorda a vovó! – Ela fitou o namorado com os olhos, e continuou. – Ah, eu sou uma aberração, Min! Como posso ter certeza que a minha transformação só vai acontecer nas noites de Lua Cheia? Você mais do que ninguém deveria saber disso!
- Por isso mesmo! Eu conheço bastante criaturas lobsomen e nenhuma se transforma em qualquer hora! Isso não é normal.
- Você sabe que eu não gosto de falar sobre isso! Vamos mudar de assunto?
- Kathe, eu só quero te ajudar. Estou preocupado contigo.
- Não fala isso que eu fico sem graça. – Catherine respondeu, após chegar no seu quarto e se sentar na cama. – Desculpa, Min, mas eu estou morrendo de sono. Vou dormir, ok?
- Ah... Sem nem antes me dar um beijinho?
- Está bem! – A moça respondeu, segurando no pescoço do rapaz e dando um beijo leve em sua boca. Ele se afastou dela e olhou em seus olhos. – Sabe que eu te amo, né?
- Eu também! – Depois da declaração os dois começaram a se beijar com mais intensidade e ele acabou caindo na cama.
- Boa noite! – Ela sussurrou no ouvido dele, sentido os seus beijos no pescoço dela.
- Boa noite!
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