domingo, 28 de fevereiro de 2010

Casa de Charles – Segunda, 00:42

-“Íntakius é um feitiço conhecido também como rastreador de memórias. Ele foi criado em 1861 pelo bruxo francês Georges Rosenberg e é o feitiço mais famoso do bruxo. Consiste em procurar na mente do alvo todas as pessoas que ele já teve contato na vida e posteriormente rastrear, na mente dessas pessoas, cenas em que o alvo aparece.” – Um homem alto, de 37 anos de idade, sussurrava isso na sala de sua casa. Ele tinha o cabelo preto e curto que estava bagunçado, óculos marrom e olhos castanhos. Na mesa havia alguns livros sobre demônios e criatura das trevas, que ele frequentemente os abria para estudar um pouco.
Charles, que acabara de ler um trecho do livro “O Segredo dos Grandes Bruxos”, apoiou o cotovelo direito na mesa e estendeu o braço até um copo de whisky que estava ao seu lado, contudo o objeto rachou antes que ele o tocasse.
- O que está acontecendo? – Ele perguntou para si mesmo, tirando do rosto os óculos e observando uma quantidade limitada de whisky descer pela rachadura do copo. O homem se levantou no mesmo instante que sentiu uma brisa fria e gelada passar pela janela da sua casa. Todos os livros começaram a virar suas páginas, numa velocidade que não seria normal mesmo que o vento quisesse. Alguns livros começaram a cair da prateleira, quicando no chão e abrindo em uma página aleatória. Charles se afastou de qualquer lugar onde um objeto possa acertá-lo e ficou olhando o fenômeno. Isso nunca tinha acontecido antes, mesmo para ele que era acostumado com o sobrenatural.
O homem esperou alguns minutos até que tudo se acalmasse. Os talheres da cozinha se mexeram de um lado ao outro, mas não chegando a sair do cômodo. Charles respirou fundo assim que percebeu que aquele vento não voltaria novamente.
- Acho que passou. – Ele comentou, caminhando até alguns livros que estavam no chão e agachando-se para apanhá-los, mas não conseguiu. Ele ficou parado, lendo as páginas que os livros tinham caído. – “O Fim para a Humanidade, o reinado do Mestre”, “Demestor, o filho do submundo”, “Chegou o fim da Escolhida”, “O Chamado dos Vampiros – Eles vão se unir”... O que significa tudo isso?
























Cemitério Santa Tereza – Segunda, 01:14

- Amélie, você não acredita? – Hidan falou, caminhando ao lado da sua namorada. Ambos estavam em uma parte mais isolada do cemitério, onde havia algumas árvores e poucos túmulos. Um olhar de reprovação foi a única resposta que o rapaz recebeu. – Porr* Amélie, não estou falando de religião!
- Então é sobre o que? A vinda do papa de chifres ao mundo?
- O chamado. Você pareceu nem se preocupar com isso.
- Você sabe que eu vou, mas não será preciso nós ficarmos seguindo um bando de idiotas por todo canto. Na hora nós estaremos presentes, não se preocupe. – A vampira respondeu, ambos ainda andando.
- Para quem não acredita você parece bastante interessada nisso. – Ela parou repentinamente, colocando a mão na frente do namorado para que ele fizesse o mesmo. Os dois ficaram calados durante um tempo e só então Hidan percebeu o que ocorrera, farejando o cheiro com o nariz. – Cheiro de sangue.
- E parece vim daqui perto. – A mulher começou a virar o rosto de um lado ao outro, a procura de algo. Os seus cabelos negros e lisos balançavam em perfeita harmonia com o vento.
- Vampiro? – Hidan indagou, varrendo o cemitério com os olhos.
- Não, um vampiro não desperdiçaria tanto sangue. Deve ser outra coisa.
- Hoje não é noite de lua cheia... – Hidan olhou para o céu para comprovar se estava certo e então sentiu a sua namorada puxando o seu braço.
- Vamos! – Ela disse, ambos começando a correr pelo cemitério em direção ao sangue. Alguns minutos depois, eles chegaram ao local onde o ritual aconteceu. Havia apenas uma mancha de sangue no chão, sendo que se arrastava até uma árvore perto dali. A estrela no gramado estava quase se apagando, mas ainda puderam vê-la.
- Parece que tentaram invocar algum ser poderoso aqui. – Hidan comentou, se agachando e pegando um pouco do sangue que estava no chão. Ele cheirou o líquido vermelho e fitou a namorada. – Tem cheiro diferente.
- Não importa, deve haver algum humano aqui e eu estou com fome. – Amélie comentou. Ela estava usando uma camisa preta com um decote em “V”, uma saia da mesma cor e um par de botar marrom escuro.
- A gente acabou de comer. Sabe, isso parece ter sido um ritual religioso. Não tem medo que o sangue dele te converta? – Hidan provocou, observando o olhar fuzilante da amada.
- Muito engraçado. Agora, silêncio. – Ela falou séria, escutando um barulho vindo de uma árvore dali de perto.
Amélie sorriu para Hidan e ele retribuiu. A caça iria começar. A moça correu em direção a árvore, onde tinha uma mancha de sangue que vinha do local do ritual. A vampira apareceu do lado esquerdo da árvore enquanto o seu namorado surgiu do lado direito, ambos fitando um casal que estava encostado na planta. A mulher, que estava usando uma saia preta, segurava um garoto ensangüentado. O estranho estava desmaiado enquanto a mulher, de aparentemente 19 anos, olhava para o casal de vampiros assustada.
- Que espécie de vampira é você? – Amélie perguntou, olhando o estado lamentável da criatura. Ela tinha os braços magros e frágeis que ainda tentavam proteger o humano desacordado.
- Put* merda, acho que ela tem problemas, Amélie. – Hidan comentou, ainda vendo aquela cena.
- O que vocês querem? – Alexya, a vampira que segurava Sasuke, indagou para eles.
- Só queremos esse nojento que está nos seus braços. Você por acaso está tentando mordê-lo ou o que? – Amélie não entendia o porquê de uma vampira segurar um humano daquele jeito.
- E-Eu... Estou tentando salvá-lo. Eu percebi que estava vindo alguém para cá e resolvi escondê-lo.
- Mas não conseguiu correr para muito longe porque está fraca! Não é capaz de nem carregar o rapaz nos braços, não é mesmo? – Hidan começou, analisando o estado da vampira desconhecida. – Eu já ouvi falar dessas pessoas, Amélie. São vampiros que tentam renegar os seus próprios instintos e não atacam humanos. Vivem apenas de doações de sangue. Irônico, não?
- Pobre criatura. Agora vai, se levanta e sai logo daí antes que a gente te mate. – Amélie ameaçou, puxando Sasuke pelo braço e deixando ao seu lado, no chão. O garoto ainda estava desacordado e se encontrava desmaiado ao lado da vampira que namorava Hidan.
- Vocês não vão fazer nada com ele! O garoto já sofreu demais, vocês não tem coração? – Alexya disse, levantando-se e fitando a outra mulher da noite.
- Temos, mas ele não bombardeia mais sangue. – Amélie respondeu, vendo a cara de nojo da vampira boazinha. Alexya fitou-a com os olhos e uma onda de raiva dominou o seu corpo. Como era possível existir pessoas tão ruins assim? Por que eles não deixavam o garoto em paz? Ela abriu a boca e um par de dentes pontudos surgiu, prestes a atacar a vampira que segurava Sasuke. – Coitada.
Antes que Alexya pudesse fazer algo contra Amélie, Hidan apareceu entre as duas como um vulto e levantou a perna direita, pronto para chutar o rosto da estranha vampira. Ela não teve chances de se defender, só sentiu o peso da perna de Hidan atingir o seu rosto, a fazendo embolar até uma árvore que estava próximo deles.
- Acho melhor você ficar longe da cética mais linda do mundo. – O vampiro falou, vendo a ferida se levantar com dificuldades e fitá-los.
- Vocês não podem...
- Podemos sim, querida. – Amélie falou, vendo a outra vampira cair no chão novamente. A sua pernas estavam fracas e o seu rosto ferido por causa do chute.
- Vampirazinha, você tem que entender que não poderá nos combater nesse seu estado lamentável. Você é fraca, aposto que deve tomar um litro de sangue por dia. Demorará muito tempo para você se acostumar com essa sua dieta e então ficar tão forte quanto nós. Enquanto isso não acontece, só poderá implorar para continuar viva. Acredite, não há lógica viver dessa sua forma. – Hidan avisou, olhando para o sorriso de Amélie que pareceu satisfeita com a resposta do namorado.
- Entenda, você tem que mudar ou morrerá. Bom, vamos deixá-la sozinha para conseguir se decidir. Até nunca mais! – A vampira que segurava Sasuke se despediu, virando-se com o namorado e andando para fora do cemitério.
- Até. – Hidan falou, saindo da vista de Alexya em poucos segundos. Agora, a vampira estava sozinha novamente. Era difícil viver nessa vida, onde poucos vampiros a entendem e a respeitam.
- Por quê? – Ela sussurrou, se encostando na árvore em que batera e colocando as suas pernas próximas ao rosto, abraçando-as com a mão. Lágrimas começaram a cair dos seus olhos. Ela era fraca, indefesa, não tinha como sobreviver nesse mundo. – Por que tudo isso está acontecendo? Eu só queria ajudar alguém, mais nada... Eu fui fraca...

Hidan e Amélie pareciam satisfeitos com a vitória. A mulher carregava o garoto desacordado sobre os ombros enquanto conversava com o amante.
- Você acha que ela vai conseguir viver muito tempo assim?
- Duvido muito. Mas se ela conseguir achar o caminho certo, se conseguir achar o Deus dentro de si, quem sabe... – O vampiro comentou, olhando para o garoto que estava sobre a sua namorada. – E quando nós vamos devorá-lo? Sabe, acho que ele já perdeu bastante sangue no ritual e deve nem ter mais gosto.
- Acho que você ainda não entendeu. – Amélie parou de andar e viu o seu amante fazer o mesmo. Assim que os dois estavam cara a cara, ela apontou para Sasuke. – Você não acha estranho esse menino ainda estar vivo mesmo depois de perder tanto sangue? E o cheiro do sangue dele? Parece ser diferente...
- Sim, mas e daí? Você acha que ele pode ser útil para nós?
- Lógico. Por isso, vamos transformá-lo em vampiro.

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